terça-feira, fevereiro 22

colhendo lírio, lírio lê...

E eu estava louca de vontade pra contar sobre todas as novidades que aconteceram ano passado...
então tah ai...
 tudo explicadinho nos mínimos detalhes:

Começo de ano, e toda turma teria que decidir sobre o que falar em seu TCC...
O Trabalho de Conclusão de Moda no SENAC consiste em idealizar uma marca (nome, público alvo, programação visual, concorrentes, plano de negócios...etc, etc) e criar uma coleção conceitual de roupas para lançar esta marca no mercado. 
Foi assim que surgiu a Lírio lê...
 No inicio do projeto procurei um diferencial para a marca: transmitir alma ao produto, repensar o sistema de moda vigente, não queria só mais uma marca….e surgiu então a idéia de utilizar somente restos de tecido[1] que iriam para o lixo para criar roupas que falem um pouco sobre cada pedaço daquelas tramas, cada fragmento de história…refugos inutilizados que, colocados lado a lado, possibilitariam o renascimento de um novo produto, em uma nova forma, em um novo contexto.  
Busquei parcerias com empresas que forneceram as sobras de tecido e matéria-prima de origem controlada (etiquetas, tags, fios e aviamentos) e que tivessem entre os seus valores a responsabilidade social e a constante preocupação com o meio ambiente. As parcerias com as empresas Renauxview, Helvetia, Beco da Lua, H. Marin, La Estampa, Lunelli e Stampare me auxiliaram na criação de peças únicas e diferenciadas.
Inicialmente entrei em contato com diversas fábricas de tecido e confecções solicitando estas sobras. Com todos tecidos em mãos, optei pelas tramas, texturas, padronagens e cores que retratassem melhor o tema proposto “Caminho pro interior…” buscando trazer o regional e artesanal nos detalhes de cada peça. Alguns retalhos passaram por um tingimento com chá para reforçar o aspecto envelhecido e gasto, resultando em uma verdadeira “colcha de retalhos”, agregando valor às roupas.
 Selecionado os tecidos, desenhei produtos que representassem meu tema, valorizando o acabamento nos detalhes…como vivos, botões, forros, etc…peças com muitos recortes, palas, mangas…onde poderiam ser ‘encaixados’ os pequenos pedaços de tecido. O processo criativo da marca ocorreu às avessas: primeiramente foram selecionados os tecidos e posteriormente foram feitos os rascunhos dos produtos. Visualizei os tecidos adquiridos e procurei criar um mix interessante e harmonioso.

Durante a criação foquei em mulheres de todas as idades, com sensibilidade e senso de estética, que tem identidade e não se preocupam em seguir tendências, são adeptas do consumo consciente e buscam produtos com história e valor agregado.

Tenho consciência de que ainda são necessárias muitas ações para que a marca se torne um modelo de sustentabilidade, e que a proposta de utilizar sobras de tecido é muito mais ideológica, pois não acaba com os retalhos de tecido, de fato. No entanto, é um passo a mais na caminhada rumo a uma moda mais sustentável –  um modo diferente de pensar que prova que sim, é possível caminhar contra a correnteza...
=D


 [1] Uma pesquisa realizada pela ONG britânica Creative Economy revelou que todos os anos mais de 1 milhão de toneladas de roupas e têxteis são descartados em aterros e locais inadequados em todo o mundo, sendo em torno de 170 toneladas mensais só no Brasil.

Um comentário:

  1. Ainda vai colher muitos Lírios, linda!!

    Quero conhecer as novas peças produzidas e a loja. E ainda quero o meu sapato!

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